A DP caracteriza-se por ser uma condição degenerativa
que caminha com uma perda progressiva de células neuronais de
determinadas áreas do cérebro e do tronco encefálico,
denominados núcleos da base (NB). Dentre esses o que mais tem
importância com relação à doença é
a substância negra (locus niger) do mesençéfalo
e secundariamente o chamado corpo estriado, que é uma importante
estrutura motora situada no cérebro. A substância negra
recebe este nome por possuir uma pigmentação escura, devido
às altas concentrações de neuromelanina existentes
nessa área. Os neurônios da substância negra produzem
um neurotransmissor (mensageiro químico) denominado dopamina(DA),
um tipo de catecolamina formada no corpo a partir da descarboxilação
da substância dopa. A dopamina funciona como um agente químico
modulador, sendo responsável pela transmissão de impulsos
nervosos entre a substância negra e o corpo estriado. Então
com a degeneração e morte dos neurônios da substância
negra, o conteúdo de dopamina no corpo estriado diminui consideravelmente,
resultando em mal funcionamento do mesmo. Acredita-se que este processo
patológico seja o fator responsável pela principal sintomatologia
da DP.
No exame anatomopatológico a substância negra se torna
pálida(despigmentada), devido a degeneração. Também
encontram-se com frequência na substância negra(e no locus
ceruleus), corpos de inclusões citoplasmáticas eosinofílicas
conhecidos como corpos de Lewy, que apesar de não serem patognomônicos
da doença, representam marcadores no exame anatomopatológico.
Quando aparecem
os primeiros sintomas característicos da DP, a substância
negra já perdeu cerca de 60% dos neurônios dopaminérgicos
e o conteúdo de dopamina no corpo estriado é cerca de
80% inferior ao normal.
Etiologia.
Apesar da etiologia
desconhecida, vários fatores tem sido descritos com relação
à causa da DP, implicados na degeneração celular
da substância negra. Os fatores de maior relevância são:
1. formação de radicais livres;
2. anormalidades mitocondriais;
3. envelhecimento cerebral;
4. neurotoxinas ambientais;
5. predisposição genética.
Os estudos tem se
concentrando mais nos dois últimos itens(neurotoxinas ambientais
e predisposição genética), apontados por muitos
cientistas como os possíveis causadores da degeneração
dos neurônios da substância negra.